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Tratamento clínico de Azoospermia após 17 anos de uso de esteróides: relato deste interessante e recente caso

Relatamos mais um interessante caso da clínica e compartilhamos neste post alguns detalhes importantes do acompanhamento deste paciente de 31 anos de idade, piloto de avião comercial, que nos procurou a primeira vez na clinica por azoospermia. Sua história clinica apresentava dado muito intrigante: aos 14 anos sua mãe o levou a um médico que passou a lhe prescrever Deposteron® (esteróide anabolizante), sem estar muito claro hoje o motivo principal do uso de androgênios tão precocemente e sem ter discutido na época os prós e contra do tratamento.

Segundo o paciente, algo para melhora do ganho de crescimento em altura e muscular, por ser muito franzino naquela idade. Desde então o Deposteron® entrou em sua vida, sendo injetado de 15 em 15 dias por 13 anos seguidos, até os 27 anos de idade, momento no qual alterou o uso do Deposteron para Nebido® a cada 90 dias. Foi então que com 30 anos se casou. Nunca antes havia imaginado que estaria com azoospermia e com testículos consideravelmente reduzidos e amolecidos. Foi então que o ginecologista de sua esposa pediu o primeiro espermograma, abaixo, e seu mundo veio abaixo.

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Nos conhecemos então em 2014, no começo do ano, tendo nos procurado para avaliação e decisão sobre o que poderíamos fazer com relação à azoospermia, sem nunca ter tido ideia alguma que era causada pelo uso do esteroides, usados habitualmente como reposição hormonal. Sua avaliação inicial revelava níveis elevadíssimos de testosterona (acima de 1.500 ng/dl) e níveis de hormônios FSH e LH indetectáveis. Avaliação genética normal. Neste momento sempre deixamos muito claro que aquela situação poderia ser irreversível e que tentaríamos restaurar o eixo hipotálamo-hipofisário-testicular como tentativa de retomada da produção de espermatozoides e da não necessidade de uso de androgênios para longo prazo. Muito mais do que isso para ele: voltar a sonhar com a possbiidade de ser pai. Cessamos imediatamente o uso do Nebido®. Com um programa de uso semanal de Choriomon®, associado e citrato de clomifeno, medicamentos fitoterápicos para melhora da testosterona em fases, conseguimos após 9 meses e 2 espermogramas ainda com contagem zero, o primeiro exame positivo realizado recentemente em SP (09/15), com concentração de 7,6 milhões de espermatozóides por ml. O exame ainda permanece alterado, hoje já podemos inferir que há chance de gravidez natural, mas o acompanhamento prossegue a cada 3 meses.

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Esta situação infelizmente é cada dia mais comum na nossa prática clinica ou seja: uso de hormônios em jovens sem o devido esclarecimentos dos riscos e com a promessa de ser facilmente recuperado após os ciclos. O post serve como alerta, algumas vezes conseguiremos reverter o uso exógeno dos hormônios, outras vezes os testículos evoluirão com fibrose e atrofia, sendo este quadro irreversível. Fica a dica.


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Dr. Conrado Alvarenga


Membro da Divisão de Urologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP

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