Há tratamento para o homem azoospérmico!

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O desenvolvimento da injeção intracitoplasmática de espermatozóide (ICSI) como uma terapia eficaz para a infertilidade de fator masculino severo se tornou um meio aplicável para superar a maioria das deficiências do aparelho reprodutor masculino. Normalmente, até mesmo homens com causas potencialmente tratáveis de infertilidade são tratados com técnicas de reprodução assistida (TRA) ao invés de terapia específica. No entanto, uma vez que o diagnóstico de azoospermia é estabelecido, espermatozóides não podem ser encontrados na ejaculação e consequentemente a reprodução assistida não pode ser aplicada. Por essa razão azoospermia é tão importante para os urologistas.

No passado, os homens com azoospermia eram definitivamente classificados como inférteis e a doação de esperma considerada única opção. Hoje em dia, o conhecimento de que muitas causas de azoospermia podem ser revertidas é generalizado na literatura médica e na prática, mas ainda causa grandes transtornos quando os casos não são devidamente manejados por uma urologista habituado com as práticas de TRA. Os médicos também devem fornecer aconselhamento adequado para o casal, bem como apoio moral e psicológico para os pacientes com infertilidade devida a fator masculino severo.

Definição

Azoospermia é definida como a ausência completa de espermatozóides na ejaculação e que deverá ser confirmada por centrifugação da amostra de durante 15 min a temperatura ambiente, com exame microscópico do sedimento e uma velocidade de centrifugação de, pelo menos, 3000g. A análise seminal deve ser realizada de acordo com as normas da Organização Mundial de Saúde e é importante saber que pelo menos duas amostras de semen, obtidas com intervalo de tempo superior a 2 semanas, devem ser analisadas. O achado de até mesmo pequenas quantidades de espermatozóides na amostra centrifugada já exclui obstrução ductal completa e ofereca chance de criopreservação de espermatozóides para ciclo imediato de ICSI.

Entenda a necessidade de um urologista especializado em infertilidade masculina.

A notícia de azoospermia para o casal que deseja ter filhos é quase sempre dramática. Em todos os casos o resultado do espermograma revelando ausência de espermatozóides é um choque na vida do casal. A primeira idéia que vem a mente é que nunca eles poderão ter um filho do mesmo sangue ou com a mesma carga genética.

E isto não é verdade!!!!! Azoospermia tem tratamento, azoospermia tem cura, em azoospermia pode-se encontrar espermatozóides, mas tudo isso requer avaliação de urologista especializado em reprodução Humana, que domine as técnicas mais modernas de captação de espermatozóides em homens azoospérmicos, que saiba diferenciar os casos mais graves dos menos graves e que possa acompanhar este homem azoospérmico e avaliar sua situação de saúde geral e não apenas reprodutiva.

Recebi resultado do meu espermograma e sou azoospérmico, e agora?

Primeiramente o ideal é que sejam realizados dois exames de espermograma, com intervalo entre eles de 3 meses e é muito importante que se verifique se durante o exame foi realizada a análise do centrifugado do sêmen. Isto porque muitos laboratórios não fazem este exame, conhecido como Pellet. Sem o Pellet, não se pode dizer com certeza que o homem é azoospérmico. Laboratórios modernos em São Paulo ja realizam o Pellet de rotina frente a achado inicial de ausência de espermatozóides.

Não é incomum recebermos exames com laudo de azoospermia e encontrarmos espermatozóides na análise do centrifugado. Nestes casos muitas vezes ja congelamos a amostra como segurança para o futuro.

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E agora que já fiz os dois espermogramas e ambos confirmaram a azoospermia?

Bem, agora é fundamental que o homem seja avaliado por um urologista especialista em Reprodução Humana. Todo azoospérmico deve ser impecavelmente investigado. Deve-se buscar a todo custo a causa da azoospermia, pois em alguns casos é possível revertê-la. E mesmo quando não é possível revertê-la, é possível se encontrar espermatozóides nos testículos ou nos epidídimos ( região que armazena espermatozóides ao lado dos testículos ).

Como é a investigação do homem com azoospermia?

Frente a diagnóstico de azoospermia, confirmado com dois espermogramas com Pellet (centrifugação), o homem deve ser cuidadosamente examinado, importantes hormônios devem ser solicitados, principalmente para se avaliar a função de seus testículos, que são os maiores responsáveis pela produção de testosterona e onde são gerados nossos espermatozóides. O exame de ultrassonografia dos testículos também é fundamental e exames genéticos também serão necessários em todos os casos de azoospermia. Estes detalhes e como interpretá-los fazem do urologista especializado em Reprodução Humana, o médico mais capacitado para a busca de espermatozóides no homem azoospérmico.

A azoospermia pode ser causada por uma obstrução?

Sim pode sim. Há inúmeras doenças e situações que levam a obstrução dos ductos que transportam os espermatozóides até o liquido que é ejaculado. O maior exemplo de azoospermia obstrutiva é a própria vasectomia, na qual criamos uma obstrução intencional para que o homem não possa mais ter filhos. Isto é muito importante pois mesmos nos homens não vasectomizados esta “obstrução” pode existir e muitas vezes ser tratada. A investigação correta destes pacientes nos surpreendem muitas vezes, principalmente quando descobrimos que o problema não é a “produção” de espermatozóides e sim sua liberação no liquido ejaculado durante o ato sexual.

Qual papel de eventual biópsia testicular nos casos de azoospermia?

Como poder ser visto abaixo, em trabalho publicado pelo grupo do Dr. Esteves de Campinas, 2011, as chances de captação de espermatozóides estão diretamente ligadas ao padrão histológico da biópsia testicular, como já havia publicado anteriormente Dr. Peter Schlegel em Nova Iorque.

Os casos de hipoespermatogênese são os mais favoráveis e já nos casos de Sertolli Cell Only temos taxas de captação em torno de 6% ( TESE ) a 20% ( Micro-TESE).

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Dissecção microcirúrgica testicular para captação de espermatozóides – (Micro TESE)

Com uso de magnificação, a biópsia testicular é dirigida para uma região relativamente avascular, como túbulos mais dilatados e consequentemente maior probabilidade de se encontrar espermatozóides. Ou seja, é uma biópsia seriada focada nos locais onde aparamente há maior chance de captação. Além disso, a quantidade de tecido testicular retirado é muito menor do que na biópsia convencional, diminuindo os efeitos colaterais. Esta técnica tem sido a técnica de eleição para pacientes com azoospermia não obstrutiva e a que garante o maior índice de sucesso.

Existem medicações que ajudem a produzir espermatozóides?

Sim existem medicações conhecidas como indutoras da produção de espermatozóides e devem ser administradas por urologista especializado em azoospermia. Como exemplo temos o citrato de clomifeno, letrozole, anastrozol e o hCG ( Chorimon) . Cada caso deve ser avaliado isoladamente para se detectar primeiramente a causa da azoospermia e depois de corretamente investigado, programar seu tratamento em busca de espermatozóides.

As melhores respostas se dão nos casos de hipogonadismo hipogonadotrófico, quando a melhora nos niveis de testosterona no sangue gera melhora nos niveis da testosterona intra-testicular e com isso recupera ou otimiza a espermatogênese.

Há muita luz no fim do túnel para o homem azoospérmico, no mínimo deve ser avaliado e eventualmente tratado por um urologista habilitado nas principais e mais modernas técnicas de indução e captação de espermatozóides.

Dr. Conrado Alvarenga
Urologista
HC FMUSP

REFERENCES

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Locais de atuação

Dr. Conrado Alvarenga


Membro da Divisão de Urologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP

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