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Reposição hormonal com testosterona não promove câncer de próstata.

Artigo de Abdulmaged M. Traish – Harvard Boston 

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Desde inicio da década de 70, a terapia de reposição com testosterona (TRT) sempre esteve carregada de receios e medos com relação a eventual papel promotor ou acelerador do câncer da próstata. Recentemente esta receio caiu por terra, e novos receios e discussões tomaram o lugar do medo com relação ao câncer de próstata. A discussão atual é a terapia de reposição hormonal com testosterona elevaria ou não os riscos cardiovasculares. E o assunto ainda é bastante polêmico e este artigo resume com bastante clareza todas as recomendações atuais, riscos e medidas de segurança para os pacientes candidatos a TRT.

Papel dos androgênios na fisiologia normal da próstata

Os androgênios regulam o crescimento da próstata. No entanto a próstata crescerá até determinado volume e após esta platô, seu volume não ser alterara mais, independente do estimulo androgênico que houver. Serão outros fatores que determinarão o seu crescimento. Dado importante que regula este raciocínio é que os níveis médios de testosterona nos homens tendem a cair com a idade e o volume da próstata e a incidência de câncer aumentar. Ou seja, não pode haver relação direta entre ambos sendo que as curvas são o oposto. A teoria mais aceita atualmente é que a próstata e seu crescimento tem como mediadores importantes os receptores androgênicos e não os níveis de testosterona circulante.

Papel dos androgênios no crescimento do câncer de próstata

A teoria mais aceita atualmente é que o câncer da próstata, uma vez instalado, como tem comportamento mediado pelos receptores androgênicos, poderá sim piorar com estimulo androgênico, mas nunca o estimulo androgênico será o promotor da alteração dos receptores, ou seja, a TRT não gera o câncer na próstata mas indivíduos com câncer de próstata não tratados poderiam inicialmente piorar com TRT. Inclusive atualmente já ha segurança na realização de TRT mesmo em homens que foram tratados de maneira curativa do câncer da próstata. O estudo REDUCE, grande estudo ligando o efeito da dutasterida na redução de câncer de próstata em homens, não revelou qualquer ligação entre aumento do câncer de próstata e níveis de T circulante ou 5 alfa redutase.

Ao contrário, estudos recentes mostram que pacientes com níveis baixos de testosterona apresentam câncer de próstata mais agressivo (maior grau). O importante é determinar se o paciente tem realmente níveis baixos de testosterona e se há sintomas clínicos da sua falta. O abuso de testosterona com fins estéticos poderá sim acarretar em riscos cardiovasculares e hepáticos, mas a TRT em homens com hipogonadismo e sem desejo reprodutivo não.

Ref:

1- Androgen receptor outwits prostate cancer drugs – Nat Med 2004

2- Shifting the paradigm os testosterone and prostate cancer: the saturation model and the limits os androgen-dependent growth – Eur Urol 2009

3- Mortality results from a randomized prostate cancer screening trial – N Engl J Med 2009


Locais de atuação

Dr. Conrado Alvarenga


Membro da Divisão de Urologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP

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