• Início
  • Blog
  • Queda da fertilidade masculina impulsiona reprodução assistida

Queda da fertilidade masculina impulsiona reprodução assistida

Recentemente, Joelle Le Moal, pesquisadora francesa e epidemiologista do Instituto Francês de Saúde Publica ( INVS ), co- autora do trabalho com maior número de espermogramas analisados ao longo do tempo em uma determinada região, no caso a França, debateu arduamente no congresso Europeu de Reprodução Assistida os impactos dos resultados de seu trabalho, publicado na revista Human Reproduction, revista de forte impacto da área da reprodução assistida.

O trabalho de Moal despeja um balde de água fria na fertilidade masculina francesa e possivelmente na fertilidade do homem pelo mundo. Moal, a todo momento, demonstrou enorme preocupação com a queda vertiginosa de inúmeros parâmetros utilizados atualmente no exame do espermograma do homem.

No trabalho de Joelle, a análise de mais de 26.000 homens, entre 1989 e 2005, revelou uma queda média de 32% na concentração de espermatozóides destes homens, provindos de inúmeros centros franceses. Isto mesmo, a queda é de quase 2% ao ano. Em 1989, a concentração seminal média era de 73,6 milhões/ml e em 2005 caiu para 49,9 milhões por ml. Além disso, o trabalho também revelou piora de 36% na morfologia dos espermatozóides, dado extremamente preocupante. As principais hipóteses para justificar tal queda são: aumento da obesidade, do sedentarismo, do estresse e da exposição a fatores ambientais nocivos, conhecidos como disruptores endócrinos.

Os críticos do trabalho de Joelle el Moal e de seu trabalho alegam que os métodos de análise seminal mudaram com o tempo e que a fertilidade masculina pode variar sazonalmente ao longo da historia da espécie humana. Mas que os números e argumentos de Moal são de assustar, isso são. E qual é a repercussão ou a ligação entre o trabalho de Moal e o crescimento também exponencial do mercado da reprodução assistida no Brasil e no mundo? A ligação é direta, ou seja, parece ser causa e efeito: a fertilidade vem caindo e a busca por ajuda subindo em paralelo.

Em levantamento recente feito a partir de dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa, mostra que entre 2011 e 2014, o número de FIVs (fertilizações in vitro) realizadas no Brasil, incluindo mães heterossexuais e homossexuais, aumentou 106% em quatro anos. O total de procedimentos saltou de 13.527, em 2011, para 27.871, em 2014. Segundo a Anvisa, os estabelecimentos atuais não comportam o volume de embriões existente hoje. As clínicas têm relatado uma dificuldade de armazenamento devido à grande quantidade.

O mais interessante destes dados todos é que recentemente foi publicada no Diário Oficial da União a Lei nº 13.097/15, a qual determina, em seu artigo 142, a alteração da norma que disciplina os serviços privados de assistência à saúde (Lei nº 8.080/1990), permitindo a “participação direta ou indireta, inclusive controle, de empresas ou de capital estrangeiro na assistência à saúde”, e sem dúvida alguma este mercado já vem sendo almejado com olhares muito cuidadosos por investidores brasileiros e estrangeiros. Os próximos anos nos mostrarão o impacto desta mudança de lei neste mercado completamente em ebulição.

Locais de atuação

Dr. Conrado Alvarenga


Membro da Divisão de Urologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP

Localização


Rua Oscar Freire, 2250
Unidades T8/T9/T10
Oscar Freire Office São Paulo

Fale conosco


(+55 11) 3081-6851
conrado@conradoalvarenga.com.br